
Nesta quarta-feira, 24 de junho, a Conexus e organizações parceiras entre elas, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, promoveram o Fórum de Conexões em Sociobioeconomia, em Belém, com o objetivo de alinhar estratégias integradas de fomento à economia de base comunitária, regularização territorial e desburocracia do crédito. O evento, que se estendeu ao longo do dia na capital paraense, reuniu gestores públicos, movimentos sociais, o terceiro setor e lideranças tradicionais para consolidar a transição socioeconômica e estruturar as cadeias produtivas locais frente aos compromissos climáticos globais da região.
A abertura do fórum contou com a presença de Camille Bemerguy, secretária adjunta de Bioeconomia da Semas, que destacou o pioneirismo do Estado na consolidação do Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio). De forma transversal, o Estado vem estruturando um ambiente de governança focado em agregar valor aos produtos da sociobiodiversidade e assegurar o protagonismo das comunidades locais.
Direitos, políticas públicas e o futuro da sociobioeconomia
Durante a programação, a secretária adjunta Camille Bemerguy também participou como painelista na mesa de debate "Direitos, políticas públicas e o futuro da sociobioeconomia". O painel promoveu uma imersão sobre como as instâncias governamentais e a sociedade civil podem convergir para desburocraticar o acesso a fomento, alinhar a regularização territorial e potencializar a economia de base comunitária.
"A sociobioeconomia na Amazônia só é viável se respeitarmos o tempo, os saberes e os direitos territoriais de quem mantém a floresta em pé. O papel do Estado do Pará, especialmente por meio do PlanBio, é criar pontes estruturadas para que esses produtos cheguem ao mercado com valor agregado justo, transformando ativos ambientais em dignidade social e segurança econômica para as nossas populações tradicionais", ressaltou Camille Bemerguy na mesa técnica.
Valorização territorial e articulação
O presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Júlio Barbosa de Aquino, relembrou o passado exploratório da região para diferenciar a lógica do capital do entendimento tradicional de bioeconomia. Segundo a liderança, o conceito debatido hoje internacionalmente já faz parte da ancestralidade dos povos da floresta.
"A bioeconomia para nós não é novidade: é a nossa forma de vida, é a nossa ancestralidade, é a nossa relação com o ambiente e com o nosso território. O nosso território não é apenas terra; é um espaço muito diverso, composto por uma diversidade de culturas e formas de vida. Quando discutimos bioeconomia hoje, temos que pensar o quanto a biodiversidade amazônica é rica e garantir que as políticas valorizem a cesta de produtos da sociobiodiversidade a partir das nossas lutas.", concluiu Júlio.
Assistência aos negócios comunitários
O acesso ao crédito adaptado à realidade da Amazônia foi apontado como um dos principais gargalos para a expansão dos negócios da floresta. Fernando Moretti, diretor de Políticas em Sociobioeconomia da Conexsus (Instituto Conexões Sustentáveis), destacou a urgência de remodelar os mecanismos de financiamento rural.
Representando as organizações parceiras de fomento, o diretor de Políticas da Conexus, Fernando Moretti, defendeu que o papel das instituições de apoio não é ditar regras, mas sim reconhecer e potencializar o protagonismo secular de quem já protege a floresta.
"A floresta não precisa de salvador; ela precisa de parceiros que reconheçam o protagonismo dos povos que estão há séculos defendendo, desenvolvendo e cuidando dela", defendeu Moretti.
Longe de ser apenas um modelo de negócios, a sociobioeconomia é, antes de tudo, a expressão da cultura e do modo de vida de quem protege a floresta. É o que defende Karoline Barros, coordenadora da Casa Sociobio, ao destacar que o Fórum Conexões cumpre o papel de unir esses saberes. Segundo ela “A Sociobioeconomia corresponde a práticas que são parte dos modos-de-vida, culturas e territórios dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, agricultores familiares. Espaços como o Fórum Conexões da Sociobioeconomia ajudam a consolidar um entendimento compartilhado sobre esse campo, promovendo trocas qualificadas entre diferentes atores do ecossistema. Ao aproximar saberes, experiências e estratégias, o Fórum fortalece trajetórias individuais, institucionais e coletivas, ampliando as condições para que os empreendimentos da sociobiodiversidade amazônica prosperem.”
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